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Um paraíso no Piauí

Um lugar calmo, em que é impossível andar com algo que não seja um chinelo por causa das ruas de areia. Nestas ruas, que são repletas de restaurantes, é fácil perceber diversos idiomas e sotaques pela presença de pessoas de vários locais do país e do mundo. Atraídas pela combinação perfeita da praia com o conforto de pousadas excelentes, encantam-se com as belas paisagens e a calma que o local oferece. Quem conhece Jericoacoara-CE pode achar, inicialmente, que me refiro a esta cidade. Mas não. Falo de Barra Grande, localizada no município de Cajueiro da Praia, no Litoral do Piauí. De Teresina, são cerca de 400km até chegar em Barra Grande.

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Praia de Barra Grande. Foto: Estevão Aguiar

Na charmosa rua do Pontal da Barra está a pousada que escolhemos para passar o fim de semana. O BGK – Barra Grande Kite Camp – oferece aos hóspedes um visual rústico, com muito bom gosto e ótimo atendimento. O nome da pousada não é por acaso. Os praticantes de kitesurf encontram em Barra Grande as melhores condições para o esporte: areia fofa e sem pedras, águas calmas e vento constante, estando no ranking dos melhores locais do país para a prática do esporte, tanto para profissionais, quanto para iniciantes.

Foto: Site BGK

Foto: Site BGK

Para aqueles que praticam ou simpatizam com o esporte, a pousada BGK é ideal para quem quer entrar no clima do kitesurf. O dono da pousada, Ariosto Ibiapina, tem uma história interessante. Médico em Parnaíba e trilheiro nas horas livres, conheceu Barra Grande e encantou-se pelo lugar. Comprou um terreno à beira da praia e construiu uma casa, em que descansava com a família, recebia amigos e fazia trilhas de moto. Então, descobriu o kitesurf e apaixonou-se pelo esporte.

Foto: Site BGK

O local começou a atrair os praticantes do esporte, que hospedavam-se nos pequenos chalés que Seu Ariosto construiu no fundo do terreno. A procura pelo local foi aumentando e mais chalés foram surgindo. Começava assim a Barra Grande Kite Camp, ou simplesmente BGK. 

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Foto: Estevão Aguiar

Apesar dos benefícios para os praticantes do esporte, a pousada é um paraíso para aqueles que só querem relaxar. Os chalés oferecem, em sua maioria, uma estrutura suspensa de madeira e palha. Em baixo, um pequeno lounge oferece cadeiras e espreguiçadeiras, além de redes que oferecem uma vista deslumbrante para o mar.

No bar da pousada, drinks são feitos e entregues aos hóspedes em seus chalés. O café da manhã é servido junto ao lounge principal – comum a todos os hóspedes – e ao lado é possível ver o espaço de massagens, onde os hóspedes podem aproveitar uma massagem relaxante ao som de uma música suave.

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A pousada é cortada por caminhos em madeira que fazem o acesso aos chalés.

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Saímos do hotel rumo à Cajueiro da Praia – a origem do nome da cidade está no grande número de cajueiros nativos – município em que Barra Grande fica localizada. Durante aproximadamente 15 minutos de carro, percorremos uma estrada de calçamento até o município. Chegando lá, procuramos pelo Bar do Matias, local indicado para almoço pela recepcionista do BGK. Encontramos então o Cabana Bar, nome oficial do Bar do Matias. 

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Oferecendo redes debaixo da cabana que fica na árvore, o lugar é tranquilo e tem uma vista do mar encantadora. É possível ainda arriscar alguns passos no slackline que fica bem ao lado das redes. 

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Matias, dono do Cabana Bar, nasceu na França e aos 5 anos mudou-se para a Argentina. Músico e cidadão do mundo, como ele mesmo diz, Matias passou grande parte da sua vida viajando, decidindo, no último ano, aquietar-se na tranquilidade da praia. Com o dinheiro que juntou ao longo dos anos com a música, alugou o bar, reformou a estrutura do local e passa os dias aproveitando a paisagem que o mar oferece. Ele afirma que seus dias de cidadão do mundo acabaram. Por enquanto.  

No centro da foto, Matias, dono e cozinheiro do Cabana Bar. À direita, Túlio Carvalho.

Filé de peixe com molho de ervas e purê de abóbora com cenoura

E olha, não é difícil entender o motivo da permanência de Matias. 

Foto: Estevão Aguiar

Foto: Estevão Aguiar

Foto: Estevão Aguiar

Foto: Estevão Aguiar

Foto: Estevão Aguiar

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Cajueiros na estrada que liga Barra Grande e Cajueiro da Praia. Foto: Estevão Aguiar

De volta a Barra Grande, desfrutamos outro atrativo do lugar: a gastronomia. Na mesma rua da pousada, encontramos diversas opções de restaurantes muito convidativos. Fiquei encantada com o restaurante La Cozinha, do chef belga Hervé Witmeur. Com luzes baixas, música brasileira tocando e velas iluminando as mesas, o restaurante mistura o requintado com o aconchegante.

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Logo ao lado da mesa em que fiquei, estava a horta do restaurante. Em certo momento, presenciei um dos auxiliares da cozinha recolhendo algum ingrediente que serviria para compor um dos pratos. Um detalhe que fez com que eu me sentisse em casa, como se cada prato fosse preparando especialmente para cada cliente.

Lá, experimentei o Filet ao Molho Gorgonzola com Legumes e Batata Sauté. Nada muito arriscado, já que mais cedo, ao perguntar sobre o restaurante para a atendente da farmácia que fica logo ao lado do hotel, recebi o que parecia ser uma má notícia: o atendimento no La Cozinha deixava a desejar, as comidas eram “gourmet demais”, com preços elevados e pratos pequenos. Assim, decidimos – meu namorado e eu – que o melhor a fazer seria apenas experimentar um dos pratos e seguir para outro restaurante, sem deixar de conhecer o local, mas correndo um risco a menos. Quando o pedido chegou, lamentei a decisão. O prato estava delicioso! Experimentei um dos melhores pratos que já tive a oportunidade de comer. Pedimos a conta e, apesar do atendimento que realmente deixa um pouco a desejar, sentimos o esforço e a simpatia dos atendentes, que andam a passos apressados para atender o restaurante cheio. 

Filet ao Molho Gorgonzola com Legumes e Batatas Sauté do La Cozinha

Seguimos então para o restaurante Bandoleiros, que reinaugurou há pouco mais de dois meses, sendo o atual chef um francês que está em Barra Grande há pouco mais de 6 meses.

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Ao lado do restaurante, está “La Lojita”, uma pequena loja com artigos artesanais.

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No Bandoleiros, pedimos um Filé de Robalo feito com ervas e manteiga. Um prato bom, mas que não chega a ser delicioso como o que eu havia experimentado anteriormente. De sobremesa, provei o Crepe com Nutella, que é de dar água na boca!

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Já a caminho do hotel, decidimos entrar na sorveteria Ora Bolas. Confesso que estava satisfeita com os pratos que havia experimentado, mas ao provar o sorvete “Dodelê” – doce de leite – não pude deixar de pedir. O simpático dono do local, Leandro, está há dois anos em Barra Grande. Nascido em São Paulo, Leandro trabalhava há mais de 8 anos em uma empresa na capital paulista, quando um amigo falou sobre o pequeno vilarejo no litoral piauiense. Decidido a mudar-se para Barra Grande após uma visita, Leandro passou um ano fazendo cursos sobre sorvetes, junto com a sua esposa. A decisão por uma sorveteria foi aleatória, já que ele não tinha qualquer conhecimento sobre o ramo. Ao terminar os cursos, saiu do emprego, comprou o maquinário necessário e mudou-se para Barra Grande. Hoje, feliz com a sorveteria e com a vida no vilarejo, Leandro não pretende voltar para São Paulo. 

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Outro restaurante que merece destaque é o Manga Rosa. Iluminação baixa, mesas na areia e decoração rústica compõem o visual do restaurante. Apesar das cadeiras pouco confortáveis, o ambiente é agradável.

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Foto: divulgação na internet.

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Foto: divulgação na internet.

O prato mais famoso do restaurante é o Peixe Manga Rosa, uma pescada amarela preparada com molho de manga e pimenta. Apesar da fama do prato, experimentei e não gostei. Tive a impressão de um molho que fica na superfície do peixe, mas que sua carne permanece sem tempero. Além da combinação manga, peixe e pimenta não ter me agradado.

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Foto: divulgação na internet.

Pedi então o Peixe à Delícia e, depois do desapontamento com o Peixe Manga Rosa, me surpreendi com um prato extraordinário. Voltei para casa desejando encontrar em Teresina um peixe feito com molho branco, bananas e queijo tão delicioso como o do restaurante Manga Rosa.

Encantada e orgulhosa com a estrutura que encontrei nesta parte do litoral piauiense, decidi já perto de voltar escrever sobre Barra Grande. O Piauí, que oferece uma estrutura tão pequena para os turistas que desejam visitar o nosso estado, vê se desenvolver em seu litoral um paraíso em conforto, gastronomia e diversão. E é fácil notar que as pessoas que acreditaram no vilarejo não são piauienses, em sua maioria. São paulistas, cariocas, mineiros, franceses e belgas que viram o potencial do lugar e hoje estão satisfeitos com os investimentos que fizeram. Em nossa mania de valorizar o que é de fora, deixamos de apostar naquilo que é nosso e que pode tornar-se grande aos olhos do mundo, como Barra Grande tornou-se. Espero voltar em breve nesse lugar que muito me encantou e espero o constante desenvolvimento do que era uma vila de pescadores e que tem se tornado um oásis de tranquilidade e conforto.

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