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Quando a arrogância censura o conhecimento

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Dr. Rodrigo Silva(à esq.), um dos palestrantes do evento 
e o físico Leandro Tessler, que mobilizou professores contra o Fórum.  

“Posso não concordar com uma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo” 
(Voltaire)
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) cancelou o “1° Fórum de Filosofia e Ciência das Origens” que aconteceria na quinta-feira, 17. A universidade cedeu às pressões de professores ateus da própria instituição, que alegaram não ser a Unicamp o lugar adequado para discutir sobre o Criacionismo. “Que façam isso numa igreja”, disse o professor de física Leandro Tessler. “É embaraçoso dar credibilidade a esse tipo de doutrina não científica.” 
O fórum contaria com a presença de estudiosos do tema, como o geólogo Nahor Neves de Souza Jr., o físico americano Dr. Russell Humphreys, o jornalista Michelson Borges, o químico Dr. Marcos Eberlin e o arqueólogo Dr. Rodrigo Silva – todos ligados ao criacionismo científico. 
Três dias antes do evento, o Fórum foi cancelado. A Unicamp, em nota oficial, explicou o cancelamento dizendo que “faltavam integrantes que pudessem debater o tema sob todos os pontos de vista”. O professor de matemática Samuel Oliveira criticou o evento. “Criacionistas não têm formação para falar de ciência”, diz.

Em contrapartida, os palestrantes se manifestaram. O químico Marcos Eberlin – professor da Unicamp – escreveu em um blog: “Infelicidade é notar que a melhor universidade brasileira se deixa guiar pela opinião subjetiva de alguns e, mais uma vez, de última hora, impede a exposição de argumentos.” O professor de arqueologia Rodrigo Silva afirmou: “Fomos boicotados por um grupo de professores ateus. Hoje, quem discorda de Darwin é queimado na fogueira.”

Veja aqui a notícia na revista Istoé, as críticas do professor Leandro Tessler e a resposta do Dr. Rodrigo Silva.

Quando li a matéria da revista Istoé, não pude deixar de notar a semelhança do fato com o que ocorria na Igreja Medieval – que não permitia opiniões e posições contrárias aos seus dogmas – acontecendo em pleno século XXI. Assim como a Inquisição, os professores da renomada universidade usaram desculpas e fracas justificativas para evitar a exposição de argumentos contrários às suas ideias. Em sua arrogância, fecharam as portas para o que serviria de conhecimento e formação de opinião de seus alunos – afinal, é assim que eu, enquanto aluna, formo minha opinião sobre determinado assunto: depois de escutar, estudar e analisar criticamente o exposto.
Professores abrem as portas. Nós, devemos escolher por qual delas entrar. Mas, se os mestres nos escondem aquilo que desprezam e nos oferecem apenas aquilo em que acreditam, que liberdade de pensamento há nisso? Que argumentos terei eu para defender uma teoria vazia, que repito por ter ouvido falar?

Não estou aqui para defender o mérito da discussão entre evolucionistas e criacionistas. Acredito sim, em Deus e na criação do mundo de acordo com a Bíblia. Porém, o que exponho aqui é a falta de diálogo e arbitrariedade sobre a informação. O que exponho aqui é o episódio lamentável ocorrido na universidade, que mostrou os defensores do evolucionismo – que um dia tiveram que lutar pelo direito de exibir suas ideias ao mundo – reprimindo o direito de expressão, agindo exatamente como seus opressores do passado. Acredito que o papel de uma instituição de ensino e seus educadores é incitar o debate, abordar temas diversos, incentivar o conhecimento humano, sem restrições. Infelizmente, esse não foi o primeiro caso de censura ao conhecimento e não será o último. 
Imagine só, que mundo diferente teríamos se fôssemos tolerantes e abertos ao diálogo sobre os assuntos que discordamos ou até mesmo, não conhecemos? Imagine que loucura aprender a debater e a escutar opiniões diferentes das nossas?