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Mulherzinha

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Um mês antes do Dia dos Namorados, decidi começar a fazer um scrapbook. Comprei um caderno pequeno, personalizei as páginas, colei fotos, recortei papéis coloridos, elaborei frases, comprei fitas e botões. Tive um trabalho imenso, fiquei acordada até tarde por várias noites seguidas para conseguir terminar a tempo. Em outra data comemorativa, presenteei meu namorado com um baralho personalizado – cada carta continha um motivo para amá-lo. Foram 52 cartas com frases e colagens. E enquanto eu cortava, colava e escrevia, observava os olhares curiosos – e atravessados – da família. Traduzindo o que sua mente pensava no mais delicado eufemismo que conseguiu encontrar, minha irmã disparou: “Você é mulherzinha.”
E sou mesmo.
Gosto de surpresas e de cuidados. Abrir a porta do carro, diminuir a velocidade do passo pra acompanhar a minha tentativa de equilíbrio em cima de um salto, flores, ligação pra dar bom dia, atitudes inesperadas, demonstração de interesse no que falo – mesmo que não seja nada interessante. Relacionamento é zelo. E tem que ser via de mão dupla.

Não nasci pra fazer papel de homem. Pode me chamar de ultrapassada e antiga. Pode me dizer que estamos no século XXI e que o tempo da sociedade patriarcal passou. Pra mim, algumas coisas simplesmente não deveriam mudar. Homem tem que pedir em casamento, homem tem que ser provedor, homem tem que ser homem. E entenda bem: ser homem não significa ser um macho primitivo, ignorante e grosseiro. Não significa pagar a conta e por isso, sentir-se no direito de maltratar sua companheira. Não significa inferiorização. Não significa colocá-la em uma posição humilhante e submissa a todas as suas vontades. 
Significa mais do que qualquer outra coisa, ter afeto, cuidado e atenção. 
Por outro lado, também não nasci pra ser Amélia. Cozinho – mal – por brincadeira, não tenho dom para ser faxineira, nem quero viver uma vida anulada em prol da criação dos filhos. Quero uma carreira, ter meu dinheiro, encontrar com minhas amigas de vez em quando e tempo para academia. Mas, ainda quero aprender sim a cozinhar, quero manter a minha casa organizada e limpa, quero educar meus filhos da melhor forma que puder. E quero um marido que me ajude em tudo isso. 
Aplaudo em pé e agradeço pelas conquistas que o movimento feminista trouxe para as mulheres. Mas, acredito que as coisas perderam o foco. Bacana a igualdade entre homens e mulheres no que diz respeito à remuneração, direito a voto, e tudo mais. Pra mim o foco se perde quando vejo mulheres defendendo que podem e devem comportar-se como homens. Perder as contas de quantas beijou numa noite, ir pra cama com outras várias, trair e beber até cair: tudo isso é feio quando é feito por um homem. Mas, torna-se ridículo quando feito por uma mulher. Não somos iguais – é contra a própria natureza afirmar o contrário – e só quem perde querendo igualar-se em comportamentos tão degradantes é a própria mulher. 
Nós mulheres somos capazes sim, de sustentar uma família. Podemos ter voz de comando dentro de casa, podemos trabalhar e deixar nossos maridos cuidando dos filhos. Podemos pagar ou dividir uma conta. Podemos fazer um casamento surpresa pro nosso namorado porque estávamos com vontade de casar e faltou atitude da parte dele. Mas, no fundo, não queremos isso. Cada um de nós exerce funções fundamentais dentro de um relacionamento. A medida de todas as coisas tem que ser o equilíbrio e não a luta entre duas forças tão distintas – mas que se completam. 
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Você tem um amor pra vida inteira?

O amor nos cerca. Nas revistas, o amor entre duas celebridades. Na televisão, o romance complicado entre o casal protagonista. Nos dias comemorativos, a paixão é vendida em forma de corações de chocolate, flores e cartões. Nas redes sociais, declarações melosas e juras de amor eterno. Vivemos a era dos relacionamentos descartáveis. Cada vez mais cedo adolescentes começam a namorar. Cada vez mais cedo, casamentos são realizados – ou por amor ou pela obrigação que uma gravidez indesejada implica – e cada vez mais cedo, são desfeitos. Afinal, pra quê continuar em um relacionamento se as coisas estão difíceis, enquanto existem inúmeras outras opções pra se escolher? O anel no dedo não significa mais comprometimento e a fidelidade é quase inexistente.
Na contramão do mundo, chego a pensar que errada sou eu – errada, quadrada, ultrapassada ou conservadora, como queira chamar – por ainda crer em amor pra vida inteira, fidelidade, companheirismo e persistência. Por mais que tente, não consigo compreender um amor que trai. Por mais que tente, não consigo entender como o sexo tornou-se o máximo de profundidade que os relacionamentos conseguem alcançar. Acredito na felicidade a dois, na determinação em vencer desafios diários por ter um porto seguro ao lado e, principalmente, acredito em lealdade.
A história de Chris Medina e Juliana Ramos é um exemplo que me faz permanecer acreditando. Chris participou do show American Idol e lá contou sua história. O casal estava noivo há dois anos e formavam um belo casal. Dois meses antes do casamento, no dia 02 de outubro de 2009, o carro de Juliana foi atingido por um caminhão. A jovem bela e sorridente quase não resistiu à fratura no crânio que a deixou desfigurada. Em homenagem à Juliana, Chris escreveu a linda música “What are words”:

“Onde quer que esteja, estou por perto
Em qualquer lugar que você vá, eu estarei lá
Sempre que você sussurrar meu nome, você verá
Como eu cumpro cada promessa
Porque que tipo de cara que eu iria ser
Se eu te deixasse quando você mais precisa de mim’’

Talvez alguém me diga que preciso aprender da vida através de duras lições que exemplos assim são raros e que a dor que endurece o coração me tornará diferente do que sou hoje. Entretanto, prefiro fechar os olhos pro pessimismo e desilusão do mundo. Não vejo sentido em viver de superficialidades e em disfarçar o medo do envolvimento, enquanto a única coisa que realmente se deseja é uma companhia sincera. Hoje tenho ao meu lado o homem que amo, com quem pretendo estar pelo resto dos meus dias. Isso é mais que suficiente pra deixar de lado toda a descrença.
E você? Tem um amor pra vida inteira ou um amor descartável? 

Pra quem não conhecia a história, veja o vídeo abaixo. E a música ‘What are words’ vale a pena ser ouvida!
Chris Medina e sua história – American Idol

What are words – Chris Medina

Livro de cabeceira – A história do meu amor

Foi como olhar – de verdade – aquele livro de capa já conhecida, mas que eu nunca havia aberto pra ler. Nas primeiras páginas, não existiu um apego ao personagem principal porque eu ainda não o conhecia de verdade, meu coração estava duro demais pra embarcar numa aventura e de repente, ver o livro acabar, sem continuação, sem um final feliz, me desapontando. Não queria sentir meu coração endurecer um pouco mais. Mas, teimosa que sou, decidi continuar. O começo foi uma aventura que até tenho saudades às vezes. Folheei as páginas, com um pé sempre atrás, buscando pouco envolvimento. Mas foi impossível. Sabe quando aquele personagem te faz refletir a vida? Te faz viver sensações indescritíveis e te faz querer levar aquele livro pra onde quer que for pra continuar a leitura, seja na praia, no carro, no aconchego da tua casa? Pois é. Quando me dei conta, não tinha mais volta. O frio na barriga, o medo do desconhecido, começavam a passar.
Eu já conhecia o protagonista e já confiava nele. Foi engraçado como tantas vezes vi tudo – na vida real – desmoronar, e então corria pra minha leitura pra mergulhar no seguro, no conhecido, pra me devolver um pouco de fé e de noção. E tudo passava. Enfrentava todo o resto com sabedoria e calma, porque tinha quem me guiasse. Cada frase daquele livro tornava-se real, tornava minha cabeça e coração mais fortes.
Muitas vezes me vi lendo coisas que não conhecia, conselhos sem explicação. Teimei em confiar, sempre gostei das coisas bem claras. E sempre que insisti em não confiar, acabei arrependida. Fui aprendendo. As páginas passavam e cada dia me sentia mais ligada a tudo que lia, a tudo que acontecia. Algumas vezes passei por capítulos tristes, capítulos que davam vontade de acelerar a leitura, passar por cima das palavras pra que tudo aquilo que eu lia passasse logo. Mas acho que foi isso que as pessoas hoje em dia perderam. A capacidade de ter paciência, de insistir, quando as coisas não estão tão bem assim. Deparam-se com capítulos difíceis e decidem largar o livro. Resolvem deixá-lo de lado, procurar algo que julgam ser mais fácil, mais interessante. Mas, bons livros exigem dedicação. Exigem paciência, exigem esforço. A recompensa sempre vem, mais cedo ou mais tarde.
Eu atravessava dias felizes, dias difíceis, atravessava essa vida completamente insana com tamanha facilidade, com tamanho equilíbrio. Sentia-me completa. O que era um coração duro, cheio de cicatrizes e receios, tornou-se sereno, calmo. O livro foi meu remédio. Tudo o que havia conhecido antes de abri-lo, com aquela capa risonha e agradável, foi completamente esquecido.
Continuo a leitura. Todos os dias, lá estou eu, se não com o livro ao meu lado, com ele em minha mente. Os capítulos tornaram-se mais maduros, sem tamanha excitação inicial. Mas, permanece a urgência de estar sempre lendo um capítulo, sempre vivendo aquele sonho que me parece tão real. Permaneço acompanhando cada frase, cada palavra, ansiosa pra ver o que vem pela frente, mas aproveitando cada página, cada momento. É o meu livro de amor, de cabeceira, de pensamento. 

Ontem, 25.04.12, vi em algum lugar que foi o dia do amor. Fui buscar na internet e encontrei várias datas pra esse dia, então a informação não é nada segura. De qualquer forma, fiquei pensando se deveria mesmo esperar um dia especial ou uma data no calendário, pra falar sobre o que vivo todos os dias. Comecei então a escrever e confesso que foi difícil encontrar palavras, que pareciam fugir de mim e difícil também organizá-las, numa luta de sentimentos e frases incompletas. Escrever em primeira pessoa ou em terceira? Dirigir-me ao culpado de tamanha dificuldade? Ou falar do amor como se não fosse meu? Foi sem dúvidas, o texto mais complicado de se escrever. Mas, valeu cada dificuldade. Falar do meu amor nunca vai ser fácil. 

Amo você, dono do meu coração, frases, pensamentos e sonhos! 

 You make it real – James Morrison