Arquivo mensal: maio 2013

A falta que Castro Alves faz



“Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito…
Onde estás, Senhor Deus?…”
(Vozes d’África – Castro Alves)
Tenho uma paixão em particular pelos escritos de Castro Alves. Anos atrás houve uma feira cultural na escola em que eu estudava e lá recitamos – eu e vários outros colegas – o poema Navio Negreiro, um dos mais conhecidos da literatura condoreira. Mesmo depois de tantos anos, permanecem em minha memória várias estrofes, tanto de Navio Negreiro, quanto de Vozes d’África– que apesar de não ter participado da encenação, ouvia diariamente os ensaios e assim, foi inevitável decorar. Sempre que me lembro de um dos versos, transporto-me para a realidade dos escravos de muitos anos atrás. Relendo os poemas pela internet, acabei descobrindo que no dia 13 de maio deste ano a Lei Áurea completou 125 anos. Entretanto, a luta a favor da liberdade permanece.
Imigrantes de países como Bolívia, Paraguai, Peru e Haiti – que enfrentou um terremoto devastador – vêem no Brasil uma possibilidade de mudar de vida. São aliciados dentro de seu país, atraídos pelas promessas de emprego. Ao chegarem aqui, se descobrem ligados ao empregador pelos custos de viagem, tendo assim sua liberdade comprometida por ameaças e dívidas. Com seus documentos confiscados, são obrigados a trabalhar em regiões normalmente afastadas. Apesar de viverem anos à frente da escravidão do Brasil Colônia e Império, as condições de vida são semelhantes. A privação de liberdade e a falta de humanização são comuns tanto ao escravo de mais de um século atrás quanto ao imigrante da atualidade.
Com a crescente necessidade de mão de obra, a indústria capitalista procura mão de obra barata – senão, gratuita – para manter-se no mercado. Aliando isso ao interesse dos estrangeiros no país, gera-se a exploração desumana do trabalho. O grande problema é que esses imigrantes, apesar da vida degradante que levam aqui, não querem ser encontrados pela fiscalização por medo de serem deportados. Para eles, a realidade de exploração não é pior da que viviam em seu país de origem. Nutrem a esperança de um dia terem uma vida melhor.
Infelizmente, ignoramos a possibilidade de estarmos vestindo neste instante uma camiseta feita por um ser humano que atravessa dia após dia jornadas de trabalho absurdas, alimentação escassa e condições inadequadas de higiene e moradia. Para erradicar o trabalho escravo contemporâneo seriam necessárias medidas severas: obrigar aqueles que burlam as leis a cumpri-las – coisa que no Brasil não existe.

Imagino – e torço para que tenha sido – inevitável a sua comoção ao se dar conta que existem homens e mulheres sofrendo para que você possa vestir uma roupa mais barata. Mas amanhã, infelizmente, você já terá se esquecido de tudo o que leu. Omitirá do seu pensamento as palavras deste texto. Que bom seria se tivéssemos um Castro Alves nos dias de hoje para imprimir em nossas mentes um pouco de comoção mais duradoura e, principalmente, ação.  
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Sem garantias.

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Não temos garantia de nada nessa vida. Planejamos o futuro, sonhamos com uma vida diferente da que temos hoje, desejamos tudo aquilo que hoje parece muito distante. Entretanto, não fazemos ideia se o vento da vida vai levar nosso barco para onde desejamos ir ou se uma tempestade vai jogar-nos no meio do mar. Não temos garantia daquilo que foi assinado, registrado em cartório e testemunhado por inúmeras pessoas. Não temos garantia das palavras ditas. Não temos garantia do que planejamos para o próximo mês. Não temos sequer a garantia da duração da nossa existência. Vivemos de incertezas. Inúmeras vezes nos vemos tomar outro caminho, antes mesmo de chegar ao destino do primeiro. Mudamos de ideia como trocamos de roupa. Mas, viver também não é um tiro no escuro. Por mais que as incertezas sejam mais certas que as certezas, não arriscar é não se dar a chance de acertar – ou de errar, e ver sua vida de uma forma inimaginável. Os planos que fazemos não são como o que é escrito na rocha. Muitas vezes, eles não permanecem. Na maioria das vezes, aliás, são como o que é escrito na areia da praia: o mar leva, mais cedo ou mais tarde. Mas, tudo o que o mar leva, ele trás de volta – ainda que traga diferente. Mesmo que as coisas não tenham acontecido da forma que esperávamos, a cada 24 horas temos um novo dia para refazermos nossos planos e quem sabe, mudar nosso destino. Basta ter coragem.


Balão de ar quente

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Chega a noite e com ela o peso do cansaço, que recai sobre meus ombros. Deitada com a cabeça no travesseiro e com o coração na mão, as palavras começam a surgir em rápidos lampejos, luzes, imagens disformes em sonhos superficiais num sono que sequer começou. Prendi-me então à imagem de um balão de ar quente, colorido, flutuando na velocidade do vento, sereno, com as tochas de fogo o mantendo no ar.
Suas várias faces coloridas assemelham-se com as diversas pessoas que sou em uma só. Filha, irmã, namorada, neta, sobrinha. Sensível, inconstante, crítica, companheira, prestativa, mau-humorada.Tantas formas distintas, complicadas de administrar em suas diferenças. Cores que em conjunto formavam o envelope do balão. 
Mas, o contraste fogo-ar foi motivo de uma observação mais profunda. Assim como eu, o balão necessita de algo para mantê-lo aquecido, para permitir que continue a voar. Planos pro futuro, lutas diárias, problemas, perdas e ganhos. Tudo isso me mantém aquecida, o afinco e a determinação não se perdem quando existe motivação. 
Já o ar, com toda a sua serenidade, é a parte de mim que precisa de cuidados, de atenção, de carinho, de demonstrações. São essas coisas da vida que a tornam mais leve, que tornam a jornada menos cansativa. E são elas que – percebi depois – não aprendi a pedir. Pra mim certas coisas não se pedem e por isso, acabo deixando passar – frustada – os momentos em que precisei de carinhos que não vieram. Culpa minha também de querer que adivinhem o que acontece comigo e as reações que eu espero. Mas isso tudo acontece por não querer pedir. Sei bem que o orgulho em reconhecer que sou mais frágil do que demonstro é a causa de tamanha frustração. Os orgulhosos causam sua própria tristeza. 
Por último, me atentei para o fato de que o piloto não pode manobrar o balão. Como em quase tudo na vida, o controle que tenho sobre as situações é limitado. Muitas vezes, a única coisa a fazer é usar o vento a meu favor, rir dos problemas e não perder a cabeça quando eles se acumulam.

O que importa, no fim das contas, é manter o balão no ar. Organizar as minhas várias faces, ver os obstáculos como combustível, ser transparente nas expectativas, ter tranquilidade quando as coisas não saírem como planejado. Permanecer leve e aprender a ter mais serenidade. E seguir.

A ilusão que nos vendem

Dias atrás folheando revistas me deparei com uma capa que – não poderia ser diferente – parei pra observar. Uma loira nua, cintura fina, bumbum homérico, com um sorriso no rosto. Voltei pra casa com um pensamento na cabeça: o que nos vendem é a insatisfação permanente. Para as mulheres, a insatisfação de nunca alcançarem o corpo perfeito que vêem na televisão. Para os homens, a insatisfação de nunca terem ao seu lado a loira de sorriso sedutor que viram nas revistas. As consequências são catastróficas. As mulheres estão mais insatisfeitas com sua imagem refletida no espelho, reduzindo sua auto-estima a pó cada vez que se deparam com um corpo estereotipado. Os homens, que tem ao seu lado uma mulher real – com poros, estrias e celulites, tudo aquilo que não aparece nas imagens que vêem – permanecem em sua busca pelo prazer ligado ao corpo perfeito através de sites, revistas e preenchendo quartos em casas de prostituição, à procura da mais gostosa, do maior bumbum, do peito mais durinho. É uma ilusão insaciável.
Faça um teste. Olhe para uma revista como essas que existem aos montes nas bancas. Observe a beleza inalcançável e a irrealidade. Agora, olhe ao seu redor. Veja como somos diferentes do ideal que nos é vendido. Colocam em nossas mãos inúmeras obrigações: seja gostosa, tenha sucesso na vida profissional, seja inteligente, esteja na moda, aprenda a cozinhar, tenha sempre um sorriso no rosto. Colocam em nós o descontentamento para logo em seguida nos venderem dietas e mais dietas, novos exercícios para fazer em casa, as tendências da estação, mil e uma dicas para conquistar um homem e as receitas para a felicidade. Falta bom senso. E infelizmente em nós, falta capacidade de não aceitar tudo aquilo que nos é imposto, de criticar o ridículo.
Não defendo aqui o desleixo. Pelo contrário, frequentar uma academia, alimentar-se corretamente, ter um trabalho satisfatório e vestir-se bem nunca fez mal a ninguém. O problema é quando o irreal torna-se o almejado, quando nos escravizamos a um modelo inalcançável. Somos humanos, de carne, osso, sentimentos, defeitos, que lidam com a gangorra que é a vida. Temos problemas, enfrentamos o dia a dia, pensamos. E temos poros, celulites, estrias, rugas. Um dia ficaremos velhas. Assim como ficarão velhas as capas de revista. E depois que a gravidade der seu recado – coisa que certamente fará – não restará nada se não cultivarmos o resto. Bombardeados pelo exterior, nos tornamos carentes de sentimentos reais. Deixe os estereótipos para serem olhados. A pressão para tornar-se o que você não é, só vai criar frustração. 

Mude.

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Ei, você aí! Não, nem olha pra trás que eu to falando com você mesmo. Você, com essa cara séria, com várias páginas no navegador abertas, com preguiça de levantar da frente desse mundo impessoal e intocável. Você, que tem celular, ipod e tablet à distância de um braço esticado, mas não tem ninguém pra dar a mão. Você, que a muito não pisa com os pés descalços nesse chão duro e incerto, mas prefere a segurança de um par de chinelos macios. Você, que tem roupas acumuladas – assim como um absurdo de sentimentos empoeirados -, mas deixa tudo ali, afinal, daria um trabalho imenso organizar a bagunça que a sua vida se tornou. Você, que passa os dias no piloto automático e sequer vai perceber quando inesperadamente, o avião da sua vida começar despencar. Você, que vive alheio ao mundo, como se fosse realmente possível alhear-se a algo em que se está dentro todos os instantes. 
Vou te dizer uma coisa: Acorda! Acorda enquanto ainda é tempo de perceber que você não pode passar a vida inteira lacrado nessa caixa que você mesmo se colocou. Acorda pra enfrentar os medos, pra enfrentar o mundo real fora dessa tela. Não deixe seus problemas por conta do tempo. O tempo é cruel e este sim, alheia-se ao mundo. Ele é insensível as suas dores, aos seus problemas e não espera que você dê a ”volta por cima” para continuar a correr. Ele simplesmente passa. Ao invés de acelerar o passo para acompanhá-lo, apenas torne-se o melhor que você pode ser – e não espere por ninguém -, são raras as pessoas que vão parar a vida para cuidar da sua. E lembre-se: quando encontrar alguém que o faça, não se perca dela.
Não ocupe seus dias com coisas que você não pode resolver, mas não se conforme com aquilo que não te faz bem. Arrisque-se pelo desconhecido, aproveite a areia embaixo dos seus pés, estenda a mão pra quem anda ao seu lado. Entenda que o que é seu somente vai chegar até você se os muros ao seu redor forem derrubados. Coloque a baixo as pedras que se amontoaram e construa sua escada para alcançar o inalcançável.

Jamie Cullum – Mind Trick 

Mulher: pedaço de carne. Até quando?

As notícias repugnantes que venho lendo nos jornais nesses últimos dias têm me causado um enorme sentimento de revolta.
Pastor Marcos Pereira é acusado de estupro
O pastor Marcos Pereira da igreja Assembléia de Deus dos Últimos Dias foi preso nesta terça-feira acusado de cinco estupros. Além dos estupros que motivaram a prisão, o líder religioso é investigado por um homicídio, ligação com o tráfico de drogas e por promover orgias sexuais. Marcos Pereira dizia para as vítimas que elas estavam possuídas pelo demônio e por isso, precisavam ter relações sexuais com uma pessoa santa.
Estuprador do ônibus: informações sobre o criminoso devem ser passadas ao Disque-Denúncia, pelo telefone (21) 2253-1177
Um menor de 16 anos entra em um coletivo da linha 369(Bangu-Carioca) no Rio de Janeiro por volta das 15h30 da última sexta-feira. Armado, anuncia o assalto e dá ordens ao motorista para continuar dirigindo. Ordena que todos os passageiros dirijam-se ao fundo do ônibus e que um deles recolha todo o dinheiro, enquanto obriga uma mulher a voltar com ele para um dos bancos da frente. Ali, a estupra.
Wallace Aparecido Souza Silva, de 22 anos, e Jonathan Foudakis de Souza, de 20, e Carlos Armando Costa dos Santos, de 21 anos: acusados de estuprar americana em uma van no Rio de Janeiro
Uma americana que morava em Copacabana e estava no Rio para estudar, entra numa van juntamente com o namorado francês. Após darem ordem para que os outros passageiros desçam do veículo, Jonathan Froudakis de Souza, 19 anos, Wallace Aparecido Souza Silva, de 21 e Carlos Armando Costa dos Santos, também de 21, estupram a americana 8 vezes, enquanto agridem o rapaz. Uma brasileira também acusou os mesmos homens de violentá-la, mas infelizmente, o caso só tomou notoriedade quando o casal estrangeiro foi vítima.
Perco as palavras ao definir o nojo que sinto ao ler coisas assim. O pior é saber que existem pessoas que julgam o estupro como sendo, muitas vezes, culpa da vítima. Uma roupa mais curta e estar na rua à noite sozinha são vistos como provocação que causam no homem irracional a falta de controle. Nós, mulheres, somos vistas como pedaços de carne, submissas, acostumadas a escutar desrespeitos até dos pedreiros de uma construção. Essa cultura acaba por gerar homens perversos, sem remorsos, que ignoram o fato de que a mulher que encontra-se ali na sua frente – aterrorizada – é um ser humano. E não, não pense que todos os criminosos sexuais têm doenças psicológicas. Muitos deles julgam-se imbatíveis, superiores. Imunes, escondidos atrás de leis antigas – que os condenam e posteriormente os favorecem – confiam-se no medo das vítimas e na impunidade. São monstros nascidos do machismo. Quando isso tudo vai mudar? Não vai. Enquanto leis mais duras não forem aplicadas e a educação torne-se o meio de remover todo o lixo existente no Brasil, crimes assim continuarão a acontecer. O que precisa ser feito, todos nós sabemos. Mas, a que situação extrema o país precisará chegar para que a honestidade, moralidade e senso de justiça prevaleçam? 

A caixa de lenços


Entrei mais uma vez no consultório e observei a caixinha de lenços ao lado da poltrona. Qualquer coisa poderia ter me chamado atenção, – a baixa luz da sala, a estante completamente cheia de pequenos objetos, os livros de Psicologia na mesa – mas nada me pareceu mais interessante do que os lenços de papel.
Aquela caixinha permanecia ali, intacta, enquanto vários tipos de personalidades e de problemas entravam e saiam do consultório. Viu pessoas mexerem em suas feridas mais profundas – que ainda não haviam cicatrizado – sem derramarem uma lágrima. Pessoas que já levaram tantos tapas na cara da vida, que não se permitiam mais deixar escorrer uma lágrima, por puro orgulho. Viu também pessoas lutarem contra o choro, resistindo a fazê-la útil, fugindo dos pensamentos mais dolorosos pra evitar demonstrar o sentimentalismo à flor da pele. Além destas, viu pessoas que não tinham problema algum em usá-la, deixando escorrer pelo rosto toda a mágoa e sofrimento existentes dentro de si. Viu homens, mulheres, jovens e crianças. Gente que não sabia que caminho seguir na vida, gente com inseguranças aparentemente incuráveis, gente que perdeu pai e mãe muito cedo.

Onde eu me encaixaria então?
 Afinal, sempre sofri calada. Quieta, de poucas palavras disfarçadas em grandes sorrisos. Cresci fantasiando, ignorando a realidade e o mundo em que vivia. Entretanto, a fé na humanidade perdeu-se à medida que vi todos os meus planos escapando por entre meus dedos. Hoje, não quero mais saber de borboletas no estômago. Pensando bem, não sei quem teve a infeliz ideia de dizer que ter borboletas no estômago é bom. A agitação em um lugar tão impróprio culmina em vômito, que não demora a chegar. Perdoe a negatividade, mas em certo momento percebemos que as pessoas não são como pensamos e a partir daí, vem os desapontamentos. Percebemos que não conhecemos nem mesmo as pessoas que nos cercam. O choque de realidade resulta em incredulidade.
Diferentemente do que esperava que acontecesse, comecei a chorar enquanto falava. Não prendi as lágrimas, não enganei minha mente quando esta chegou perto da minha ferida aberta. Chorei. Ao meu lado, a caixa de lenços fazia seu papel, de papel. Percebi então que era demais exigir de mim o conhecimento de cada pessoa ao meu redor, enquanto não consigo sequer definir que tipo de pessoa o lenço de papel veria quando a sessão com a psicóloga começasse. Desejar de todo o coração não torna alguém o que queremos que ela seja. 
Expectativas foram criadas para serem frustradas. 

Superman-Five for Fighting

——–
A querida Evelyn do Good Luck Eve me deixou muito feliz hoje quando entrei na sua página e me deparei com um post feito por ela sobre o meu blog. Muito obrigada mesmo, Evelyn! Vocês podem conferir o post aqui. Beijo grande!


Você tem um amor pra vida inteira?

O amor nos cerca. Nas revistas, o amor entre duas celebridades. Na televisão, o romance complicado entre o casal protagonista. Nos dias comemorativos, a paixão é vendida em forma de corações de chocolate, flores e cartões. Nas redes sociais, declarações melosas e juras de amor eterno. Vivemos a era dos relacionamentos descartáveis. Cada vez mais cedo adolescentes começam a namorar. Cada vez mais cedo, casamentos são realizados – ou por amor ou pela obrigação que uma gravidez indesejada implica – e cada vez mais cedo, são desfeitos. Afinal, pra quê continuar em um relacionamento se as coisas estão difíceis, enquanto existem inúmeras outras opções pra se escolher? O anel no dedo não significa mais comprometimento e a fidelidade é quase inexistente.
Na contramão do mundo, chego a pensar que errada sou eu – errada, quadrada, ultrapassada ou conservadora, como queira chamar – por ainda crer em amor pra vida inteira, fidelidade, companheirismo e persistência. Por mais que tente, não consigo compreender um amor que trai. Por mais que tente, não consigo entender como o sexo tornou-se o máximo de profundidade que os relacionamentos conseguem alcançar. Acredito na felicidade a dois, na determinação em vencer desafios diários por ter um porto seguro ao lado e, principalmente, acredito em lealdade.
A história de Chris Medina e Juliana Ramos é um exemplo que me faz permanecer acreditando. Chris participou do show American Idol e lá contou sua história. O casal estava noivo há dois anos e formavam um belo casal. Dois meses antes do casamento, no dia 02 de outubro de 2009, o carro de Juliana foi atingido por um caminhão. A jovem bela e sorridente quase não resistiu à fratura no crânio que a deixou desfigurada. Em homenagem à Juliana, Chris escreveu a linda música “What are words”:

“Onde quer que esteja, estou por perto
Em qualquer lugar que você vá, eu estarei lá
Sempre que você sussurrar meu nome, você verá
Como eu cumpro cada promessa
Porque que tipo de cara que eu iria ser
Se eu te deixasse quando você mais precisa de mim’’

Talvez alguém me diga que preciso aprender da vida através de duras lições que exemplos assim são raros e que a dor que endurece o coração me tornará diferente do que sou hoje. Entretanto, prefiro fechar os olhos pro pessimismo e desilusão do mundo. Não vejo sentido em viver de superficialidades e em disfarçar o medo do envolvimento, enquanto a única coisa que realmente se deseja é uma companhia sincera. Hoje tenho ao meu lado o homem que amo, com quem pretendo estar pelo resto dos meus dias. Isso é mais que suficiente pra deixar de lado toda a descrença.
E você? Tem um amor pra vida inteira ou um amor descartável? 

Pra quem não conhecia a história, veja o vídeo abaixo. E a música ‘What are words’ vale a pena ser ouvida!
Chris Medina e sua história – American Idol

What are words – Chris Medina

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